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verbetes elaborados por Edvaldo Pereira Lima

Ensaio Pessoal

Gênero emergente na Literatura da Realidade norte-americana. Mescla narrativa e reflexão dissertativa de tom pessoal, não acadêmico. O autor pode ser também personagem. Está envolvido de algum modo no acontecimento que dá origem ao texto e/ou assume posição clara nas reflexões associadas. O assunto abordado e o tema subjacente têm significado pessoal para o autor. Tanto a voz autoral quanto a imersão constituem qualidades desejáveis. Exemplo brasileiro: “Ayrton Senna – Guerreiro de Aquário” (Editora Brasiliense), de Edvaldo Pereira Lima.

Escrita Total ©

Método de produção de textos criativos, criado por Edvaldo Pereira Lima, tendo como parâmetro básico a Teoria dos Hemisférios Cerebrais, cuja comprovação garantiu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1981 ao neuropsicólogo Roger Sperry. Utilizado como ferramenta de sensibilização, pauta, observação e texto em Jornalismo Literário Avançado. Publicada em livro, com o mesmo título, pelo sistema editorial Clube de Autores.

Histórias de Vida

Em jornalismo e Literatura da Realidade, este é um recurso de representação da realidade centrado em vidas de pessoas individuais ou grupos sociais. Surge como trabalho autobiográfico, de suporte de pesquisa ou de principal veio narrativo. Sob guarda-chuva conceitual amplo, num extremo abrange biografias e noutro, perfis. Em ciências sociais, Histórias de Vida é método de pesquisa.

Jornada do Herói

Estrutura narrativa organizada numa combinação de estudos mitológicos de Joseph Campbell e da psicologia de Carl Gustav Jung, por Christopher Vogler, consultor de roteiros de cinema nos Estados Unidos. Utilizada por Spielberg e George Lucas. Adaptada para narrativas do real por Edvaldo Pereira Lima. Testada no ensino de jornalismo por Monica Martinez em tese de doutorado na ECA/USP. Publicada em livro pela Annablume/Fapesp, 2008.

Jornalismo Gonzo

Vertente peculiar do Novo Jornalismo, criada e popularizada por Hunter S. Thompson através de sua produção para a revista “Rolling Stone” e livros-reportagem. Consiste no envolvimento altamente pessoal e irreverente do repórter nos temas sobre os quais escreve, traduzido em forma narrativa excêntrica. Busca um modo de expressar a realidade muito apoiado na habilidade descritiva do autor. Praticada com destaque no Brasil atual por Arthur Veríssimo, na revista “Trip”.

Jornalismo Literário

Modalidade de prática da reportagem de profundidade e do ensaio jornalístico utilizando recursos de observação e redação originários da (ou inspirados pela) literatura. Traços básicos: imersão do repórter na realidade, voz autoral, estilo, precisão de dados e informações, uso de símbolos (inclusive metáforas), digressão e humanização. Modalidade conhecida também como Jornalismo Narrativo.

Jornalismo Literário Avançado

Proposta conceitual e metodológica de prática proativa do Jornalismo Literário, delineada por Edvaldo Pereira Lima, incorporando conhecimentos de vanguarda provenientes de vários campos, como a psicologia humanista, a física quântica, a Teoria Gaia, a Teoria Geral de Sistemas. Instrumentos: histórias de vida organizadas em torno da Jornada do Herói e o método Escrita Total.

Literatura da Realidade

Sinônimo de Jornalismo Literário, Literatura de Não-Ficção, Literatura Criativa de Não Ficção. Aplica-se à prática da narrativa sobre temas reais, empregando reportagem - o ato de relatar ocorrências sociais - sob um conceito espaço-temporal e de método mais amplo do que nos periódicos. Praticada por jornalistas, escritores, historiadores e cientistas sociais.

Livro-reportagem

Veículo jornalístico impresso não-periódico contendo matéria produzida em formato de reportagem, grande-reportagem ou ensaio. Caracteriza-se pela autoria e pela liberdade de pauta, captação, texto e edição com que os autores podem trabalhar. Entre os tipos de livros-reportagem mais comuns estão a reportagem biográfica, o livro-reportagem-denúncia e o livro-reportagem-história.

Memórias

Textos biográficos da Literatura da Realidade caracterizados pelo resgate narrativo de episódios marcantes da história de uma pessoa, muitas vezes envolvendo um ciclo definido de sua vida, como a infância, a adolescência, o período em que o jovem serviu as Forças Armadas, ou a fase em que a jovem saiu de casa para se casar. Ao contrário da biografia, portanto, não focaliza toda a vida do protagonista, mas períodos definidos. A autoria pode ser do próprio protagonista ou de terceiros. A história do personagem geralmente espelha também um contexto histórico, social, cultural. O gênero passou por extraordinária renovação de qualidade com “As Cinzas de Angela”, de Frank McCourt, vencedor nos Estados Unidos do Prêmio Pulitzer, posteriormente publicado no Brasil e também transformado em filme. O livro, escrito na maturidade do autor, já aposentado como professor, conta sua infância nas décadas de 1930 e 1940 na Irlanda. O lance de gênio de McCourt foi narrar a história na voz da criança (ele próprio) que experimentou os dramas e as situações hilárias de crescer numa família disfuncional, em meio a extrema pobreza.

Narrativa de Viagem

Termo cunhado por Edvaldo Pereira Lima para designar narrativas de não-ficção sobre viagens produzidas em estilo de Jornalismo Literário. Formato bastante popular nos Estados Unidos e na Inglaterra, principalmente em livros, desdobra-se em tipos distintos, conforme a proposta editorial da obra, como deslocamento, Natureza e jornada interior. No Brasil, é ainda pouco aproveitado por escritores nacionais, mas há traduções de autores clássicos desse gênero, como Ryszard Kapuscinski e Terziano Terzani. Mais do que em outras formas narrativas do JL, exige presença marcante do autor também como personagem, muitas vezes como protagonista. Tem caráter biográfico e está associado simbolicamente à idéia de aventura. Promete implicitamente ao leitor, mais do que uma leitura, uma viagem sensorial pelas experiências vividas pelo autor. Por isso, é natural, no gênero, a produção de textos esteticamente bem desenvolvidos, com a utilização de inúmeros recursos do arsenal narrativo disponível ao JL. Sua origem remota está ligada a narrativas mitológicas e a origem mais moderna, do século XIX para cá, é considerada uma das raízes históricas do próprio JL contemporâneo.

Narrativas de Transformação

Proposta de utilização proativa do Jornalismo Literário, do Jornalismo Literário Avançado e da Literatura da Realidade em processos narrativos visando contribuir para a transformação da sociedade através da ampliação da consciência das pessoas. Conceitos-chave: a co-criação da realidade, a Teoria dos Campos Morfogenéticos e o pensamento produtivo complexo.

Novo Jornalismo

Fase histórica e efervescente de renovação do JL nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, caracterizada pela introdução de novas técnicas narrativas (fluxo de consciência e ponto de vista autobiográfico), grande exposição pública e popularidade, reivindicação de qualidade equivalente à literatura. Abundantemente praticada em revistas de reportagem especializadas em JL, publicações alternativas, livros-reportagem e até mesmo em veículos da grande imprensa. Registra a ascensão para a fama de grandes mestres da narrativa do real, como Gay Talese e Tom Wolfe, assim como o salto para a produção de não-ficção de nomes consagrados da literatura, como Norman Mailer e Truman Capote.

Perfil

Gênero de origem incerta, desenvolvido, aperfeiçoado e disseminado para todo o jornalismo a partir da década de 1920 na revista The New Yorker, nos Estados Unidos. Busca traçar um retrato detalhado de personagens famosos ou anônimos, individualizando a compreensão mais ampla possível do ser humano em destaque em cada matéria. Nos melhores casos, intuitiva ou conscientemente, os bons autores de perfis fazem uma leitura dos personagens que revelam características psicológicas e comportamentais importantes, além dos aspectos mais concretos do que fazem e como vivem. Expõem, assim, a complexidade real típica de uma vida humana, rompendo os estereótipos limitantes que normalmente camuflam as pessoas nos veículos de comunicação de massa. Teve um salto de qualidade histórico com “Frank Sinatra Está Resfriado”, de Gay Talese, publicado originalmente em abril de 1966 na revista Esquire, reproduzido em seu livro “Fama & Anonimato”.

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